Neymarice

Não há a menor chance de a jogada dar certo. Mesmo assim o atleta insiste. Corre para cima do zagueiro. Tenta uma drible que, sabe, não funcionará. Se possível, o faz da forma mais humilhante, passando o pé por cima da bola, com a língua pra fora, evocando um futebol arte que, diz a lenda, um dia existiu. Continuar lendo Neymarice

O Datafolha que jogará água nas pretensões de impeachment

A primeira pesquisa a medir o estrago das manifestações de domingo na popularidade de Dilma deve vir a público na próxima quinta ou sexta. A cargo do Datafolha, dá para se antever que trará um dado incômodo ao discurso que defende o impeachment da presidente. Ora, se o mesmo instituto calculou em apenas um quarto a fatia dos manifestantes que acham que o impedimento de Rousseff é a saída para a crise atual, por que acreditar que esse valor cresceria junto à população que ficou em casa?

Mas o dado mais importante veio também da manifestação: nada menos do que 90% do público do dia 15, e consideráveis 27% dos presentes no dia 13, acreditam que Dilma tinha plena consciência dos desvios na Petrobras e nada fez para impedir. O que essas pessoas talvez não entendam é que defender isso é apostar que há motivos para que o PT seja derrubado da presidência.

Há quem descarte o impeachment por não enxergar ainda uma prova contundente que ligue Dilma ao escândalo. Argumentar isso equivale a dizer que o goleiro Bruno nunca deveria ter sido condenado pois jamais encontraram o corpo de Eliza Samudio. Já há uma meia dúzia de argumentos jurídicos que levariam a uma abertura de processo consistente. O que falta é direcionar (ou apertar) as investigações nesse sentido, já que atualmente elas não miram a presidência, mas os estragos na Petrobras.

Contudo, aposto minhas fichas na descrença no poder judiciário. Creio que grande parte dos 63% que dizem ver culpa em Dilma, mas abrem mão do impeachment, assim agem por não acreditarem que essa despesa jurídica renderá alguma punição relevante a quem está no poder — portanto, não valeria o esforço.

Estando eu certo, aponta-se aqui o caminho para onde o discurso dos manifestantes deve seguir: o PT só chegou a transformar em bilhões do Petrolão os milhões do Mensalão porque jamais fora punido exemplarmente. Porque tivera 7 anos para nomear todos os ministros do STF necessários para se livrar da pena por formação de quadrilha. Porque o PGR não tivera coragem (ou força) para incluir Lula entre os mensaleiros. Porque a imprensa passara a mão na cabeça dos petistas como a mãe que assume que o filho errou, mas acredita que finalmente tomará jeito. Porque os principais nomes da oposição assumiram uma atitude bastante passiva diante das denúncias. Porque as urnas assinaram embaixo daquilo que a mídia vendera, pensando no amanhã, mas nunca no depois de amanhã.

As manifestações são contra a corrupção? Pelo impeachment? Pode perfeitamente ser por ambos, já que este se insere nesse. A diferença é que não se conhece alguém que venha a público dizer-se a favor da corrupção. Declarar-se contra o primeiro soa uma obviedade, uma fala sem fim prático, qualquer um diria. Dizer-se a favor do segundo, no entanto, foca na solução, exige coragem para enfrentar acusações de golpismo, e aponta um destino, um momento para esta crise encontrar uma luz, mesmo que fraca, no fim do túnel.

Quando o Datafolha vier no final da semana, mais do que nunca chamarão de golpista quem saiu às ruas no último domingo. É preciso saber responder. Golpe, para mim, é enfraquecer a democracia e explorar os mais pobres para se manter no poder. Ocorra isso numa tarde de domingo, ocorra isso num mandato de 12 ou 16 anos.

Atualização – 14.03.2015

O Datafolha com a informação do apoio brasileiro ao impeachment de Dilma só veio quase um mês depois e com 63% de eleitores se dizendo favorável ao processo. Mas minha previsão estava errada porque caí na pegadinha das questão feita pelo instituto ainda no dia 15. No protesto do dia 12, a mesma questão foi feita e dessa vez encontrou um resultado ainda menor: apenas 17% dos manifestantes diziam ter ido às ruas pedir o impedimento da presidente. Mas 77% de quem esteve na Paulista se disse favorável à medida. Essa informação não foi dada a respeito da manifestação anterior.

Acredito que este número tende a aumentar à medida em que a iniciativa dê alguma esperança de ser bem sucedida. Ainda há uma parte dos cidadãos que não confirma o apoio ao impeachment por simplesmente não acreditar que a oposição seja capaz de implementá-lo. Eu sigo acreditando. E mais: basta dobrar o obstáculo Eduardo Cunha, que segue prometendo engavetar qualquer solicitação. Mas, em maio, o PSDB e o MBL devem entregar seus pedidos. Este, com 5 milhões que foram às ruas; esse, com 51 milhões de votos. Não será tão fácil o presidente da câmara dizer não.

Dos “20 do MASP” ao “milhão da Paulista”, a saga de um Brasil que não se entregou

Era também uma tarde de um domingo de verão. Por volta de 1.800 pessoas confirmaram presença no protesto via redes sociais. Mas apenas 20 apareceram no vão do MASP para exigir que o envolvimento do ex-presidente Lula junto ao Mensalão fosse apurado. A imprensa, já com o petismo escorrendo pelo poros, reportou cinicamente o que presenciou naquele 13 de janeiro de 2013. As duas dezenas de manifestantes viraram motivo de piada na internet. Mas aquilo que se pretendia aniquilá-los de vez apenas serviu para unir o grupo – que passou a atender pela alcunha de “Os 20 do MASP“. Continuar lendo Dos “20 do MASP” ao “milhão da Paulista”, a saga de um Brasil que não se entregou

As maquiagens que Dilma fez no PIB para transformar uma mentira em “verdade”

O Brasil não deve mais entrar em recessão. Ao menos, não agora. É o que dá para se concluir dosnúmeros que o IBGE apresentou nesta quarta-feira, 11 de março. Mas, para isso, não foi (ou será) preciso desatar os nós econômicos frutos da política desastrosa implantada por Lula, Dilma e Mantega nos últimos 8 anos. Mais uma vez o governo coloca em prática o que ficou conhecido como “contabilidade criativa” para artificialmente inflar o crescimento do PIB no Brasil. Continuar lendo As maquiagens que Dilma fez no PIB para transformar uma mentira em “verdade”

A importância de Joaquim Barbosa para a operação Lava Jato

Naquela terça-feira, 5 de março de 2013, Joaquim Barbosa perdeu a paciência (e a elegância) de forma inesperada, principalmente para um ministro da suprema corte. Quando um jornalista quis saber a visão do presidente do STF sobre críticas de algumas entidades jurídicas, foi interrompido aos berros: Continuar lendo A importância de Joaquim Barbosa para a operação Lava Jato